A narrativa de sustentabilidade construída em torno da produção de celulose no Brasil esconde uma realidade incômoda: a exploração intensiva de eucalipto, como a realizada pela Veracel, tem efeitos ambientais que vão além do que os relatórios corporativos admitem.
A monocultura de eucalipto, base desse modelo, simplifica drasticamente o ecossistema. Em vez da complexidade da Mata Atlântica, instala-se um ambiente uniforme, onde poucas espécies conseguem sobreviver. Esse empobrecimento biológico já foi apontado por movimentos socioambientais e pesquisadores, que alertam para a perda significativa de biodiversidade.
Além disso, há impactos indiretos que raramente entram no debate público. A substituição de áreas naturais por plantações industriais altera o ciclo da água, modifica o microclima e pode comprometer atividades tradicionais, como a agricultura familiar.
A empresa destaca certificações ambientais e técnicas de manejo como prova de responsabilidade. Porém, certificação não é sinônimo de ausência de impacto — apenas indica que certos critérios mínimos foram atendidos. O problema é mais profundo: trata-se de um modelo baseado na exploração intensiva de um único recurso.
Há quem defenda que o eucalipto ajuda a reduzir o desmatamento de florestas nativas e contribui para a captura de carbono. Esse argumento tem mérito parcial, mas ignora o fato de que uma plantação industrial nunca substitui a complexidade ecológica de uma floresta original.
Portanto, a crítica não é ao plantio em si, mas à escala e à forma como ele é conduzido. O atual modelo prioriza produtividade e lucro, enquanto os custos ambientais são diluídos e pouco debatidos.
Se o Brasil pretende ser referência em sustentabilidade, precisa enfrentar essa contradição: não há “verde” possível quando a base do sistema é ambientalmente desequilibrada.
POR REDAÇÃO
